Cleonice de
Carvalho
RU 1729469
Em Santa Cruz do Sul e em mais 17 municípios que respondem à 6ª CRE foram matriculados 2.043 alunos com necessidade especiais em 2017
Os professores
de alunos com necessidades especiais contam cada vez mais com o desenvolvimento
de inúmeras tecnologias para auxiliar o trabalho em sala de aula. Basta uma
busca rápida no Google para acessar inúmeras notícias sobre aplicativos
gratuitos preparados para ajudar professores, alunos, pais e familiares de
pessoas com alguma deficiência. Um exemplo é a postagem no site Ensino Guia de
Educação (canaldoensino.com.br) que
aponta sete aplicativos grátis para aprendizagem de crianças com deficiência.
Dentre os apps selecionados estão o ProDeaf que traduz a fala em Português para
a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e o Aramumo criado para auxiliar jovens e
crianças com dislexia. Mais explicações sobre esses e os demais aplicativos
indicados podem ser conferidas no final deste texto.
A partir dessas
inovações surge uma questão: quantas pessoas com necessidades especiais
frequentam as escolas da região do município de Santa Cruz do Sul, no estado do
Rio Grande do Sul (RS). De acordo com a 6ª Coordenadoria de Educação (CRE), com
sede no município, um total de 2.043 alunos com diferentes tipos e níveis de
deficiência foram matriculados nas escolas de sua abrangência em 2017. Esses
estudantes representam quase 6% dos 34.464 alunos matriculados no atual ano
letivo. A 6ª CRE reúne 108 escolas, situadas em 18 municípios.
O maior número
de alunos, 1.175, possuem deficiência mental ou intelectual, conforme os dados
da Coordenadoria. Esses alunos representam quase 85% dos estudantes com
necessidades especiais. Entre os demais alunos da Educação Especial, 79
apresentam deficiência multiplas, 47 baixa visão, 47 surdez, 36 autismo, 31
deficiência fisíca, 25 deficiência auditiva, 17 dificuldade para se locomover,
10 com altas habilidades, 10 com síndrome de down, 11 em tratamento para
desenvolvimento, sete com síndrome de asperger, seis cegos e dois surdos e
cegos.
O maior número
de alunos, 1.637, com algumas das limitações descritas ingressaram no Ensino
Fundamental, 273 no Ensino Médio, 76 na Educação Especial Ensino Fundamental, 28
na Educação de Jovens e Adultos (EJA) Ensino Médio, 22 na EJA Ensino
Fundamental, quatro na Educação Profissional Integrada ao Ensino Médio e dois na
Educação Profissional. A inserção desses alunos nas escolas estaduais da 6ª CRE
demandam pessoal especializado e estrutura adequada para garantir um atendimento
e ensino qualificados.
INCLUSÃO
Na Escola Estadual de Ensino Médio Vera Cruz, por exemplo, que pertence à 6ª
CRE, estudam 37 alunos com necessidades especiais. Um total de 1.020 estudantes
foram matriculados na escola em 2017. A coordenadora pedagógica, Neusa Meert,
disse que a maioria dos estudantes (32) apresentam deficiência intelectual.
Entre os demais, dois são surdos, um com deficiência auditiva e dois com
deficiência fisíca.
Conforme Neusa,
a Escola conta com uma sala de recursos e dois professores especialistas, mas
não dispõe de tradutor de Libras (Língua Brasileira de Sinais), apesar da
legislação exigir que a escola disponha de profissional da área. No local, os
alunos realizam as avaliações que são adaptadas para eles, com o auxílio dos
professores especializados. Sobre o uso de algum aplicativo ou tecnologia
voltados para facilitar o aprendizado, ela não soube informar se os professores
ou os alunos utilizam.
Uma entrevista
sobre o trabalho desenvolvido pela 6ª CRE com os profissionais que atendem e
lecionam nas escolas que recebem os estudantes com algumas das deficiências foi
enviada por e-mail para a assessoria de Educação Especial, que não chegou a
enviar as respostas conforme tinha combinado.
O número de
pessoas com deficiência em salas de aulas comuns aumentou 6,5 vezes, entre 2005
e 2015, no Brasil, de acordo com o último Censo Escolar, do Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O total subiu de
114.834 para 750.983 estudantes especiais convivendo com os demais alunos. Para
especialistas, o incremento apontado pelo estudo reflete, sobretudo, mudanças na
legislação.
Confira sete
aplicativos gratuitos para alunos com necessidades especiais:
PRODEAF
Traduz a fala
(em português) para Libras. O usuário pode inserir palavras ou pequenas frases
em texto ou pelo dispositivo de reconhecimento de voz do celular e visualizar
automaticamente a tradução para Libras. Facilita o aprendizado de Libras, amplia
as possibilidades de comunicação entre surdos e não-surdos e difunde o uso desta
linguagem para um público mais amplo. Disponível para Android, iOS e Windows
Phone 8.
ARAMUMO
Criado por dois
alunos do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o jogo venceu desafio promovido
pelo Instituto ABCD para auxiliar na educação de jovens e crianças com dislexia
e outros distúrbios que afetam a aprendizagem. O Aramumo se assemelha às
palavras cruzadas. Só que em vez de letras avulsas, o jogador deve utilizar
sílabas para formar palavras. Ele ouve uma série de palavras e deve encaixar as
sílabas que aparecem flutuando na tela dentro de bolhas para formar palavras no
tabuleiro virtual. Possui interface simples e atraente, estimula o raciocínio e
possibilita que os alunos ampliem o vocabulário. Disponível para Android.
HAND TALK
Projeto,
desenvolvido em Alagoas, ganhou o World Summit Award Mobile, uma competição
bianual promovida pela ONU que reconhece aplicativos de relevância para a
humanidade. É uma ferramenta para dispositivos móveis que faz uso de um
personagem para converter textos, imagens e áudio para Libras. É possível,
inclusive, tirar a foto de uma placa e pedir para traduzi-la. Facilita o
aprendizado de Libras, amplia as possibilidades de comunicação entre surdos e
não-surdos e difunde o uso desta linguagem para um público mais amplo.
Disponível para Android, iOS e Blackberry.
QUE-FALA
Aplicativo
destinado a facilitar a comunicação de pessoas com deficiências que afetem a
fala. O aplicativo oferece uma série de ilustrações identificadas por palavras
escritas e em áudio. O usuário seleciona figuras que correspondam ao que ele
quer dizer e pode até montar pequenas frases. Possibilita que o aluno se
comunique diretamente com qualquer pessoa, sem a necessidade de intermediários.
Disponível para Android.
DALTONIZE ME
CAMERA
Você pode
imaginar como um daltônico enxerga o mundo? O Daltonize Me Camera oferece ajuda
para daltônicos além de simular daltonismo. O aplicativo fornece filtros para
câmera em tempo real simulando todos os três tipos de daltonismo, e para
daltônicos o aplicativo oferece ajuda com o complexo algoritmo daltonize
funcionando em tempo real com alta performance usando o máximo da aceleração de
hardware OpenGL. É bom porque: facilita o aprendizado de crianças daltônicas que
podem identificar melhor as cores de brinquedos e livros. Disponível para
iOS.
HÉRCULES E
JILÓ
O software
Hércules e Jiló tem como objetivo ensinar ciências naturais a crianças com
necessidades educativas especiais, mais precisamente para aquelas apresentando
déficit cognitivo moderado. Produzido e idealizado pela Faculdade de Educação da
UnB (Universidade de Brasília), o aplicativo é composto por uma série de jogos
com diferentes contextualizações psicopedagógicas que não envolvem apenas as
crianças, mas também o educador. Funciona juntamente com um professor, a criança
realiza 10 atividades para montar e brincar, além de jogos virtuais relacionados
ao tema de ciências naturais. Desenvolve habilidades didáticas, cognitivas e
lúdicas de crianças com necessidades especiais de aprendizado. Disponível para
baixar no computador.
IBRAILLER NOTES
iBrailler Notes
é um aplicativo para iOS que permite escrever em Braille no iPad. Com ele, você
pode digitar em Braille diretamente para criar, editar e compartilhar anotações.
Para facilitar ainda mais seu uso, o app deve ser usado em conjunto com o
recurso VoiceOver do iOS. O programa oferece um teclado único, no qual as teclas
são quem encontram os dedos do usuário, e, caso este não se sinta confortável
com o seu teclado, é possível construir um novo sempre que quiser, quantas vezes
quiser. O app também possui um conjunto completo de gestos intuitivos para mover
o texto, fazer tarefas comuns, como copiar e colar, e desfazer e refazer. Com
gestos intuitivos, facilita a operação das crianças e ajuda bastante na leitura
de textos. Disponível para iOS.